ANO 10 - VOL. 1 - N. 14 - JUNHO 2009

“As bellezas naturaes do nosso paiz”: o lugar da paisagem na arte brasileira, do Império à República
Arthur Valle e Camila Dazzi


Arthur Valle (Faetec, Rio de Janeiro, Brasil) é graduado em pintura (1998), mestre (2002) e doutor (2007) em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes da UFRJ. Pós-doutorando em história na UFF, onde desenvolve pesquisa sobre as Exposições Gerais de Belas Artes durante a Primeira República. Atua como pesquisador e professor, lecionando no Instituto Superior de educação da Faetec.
Temas de pesquisa principais: pintura na Primeira República; história, teoria e crítica de arte dos séculos XIX e XX. / artus_agv@yahoo.com.br

Camila Dazzi (Cefet-UnED, Rio de Janeiro, Brasil) é graduada em artes plásticas (2003) pela EBA/UFRJ e mestre (2006) pelo IFCH/Unicamp. Doutoranda em história da arte pelo PPGAV/EBA da UFRJ, onde desenvolve pesquisa sobre a Reforma de 1890 da Academia de Belas Artes e sua posterior implementação, atua como professora, lecionando nos cursos de graduação e pós-graduação do Cefet-UnED – Nova Friburgo.
Temas de pesquisa principais: arte brasileira do século XIX; ensino artístico oitocentista, crítica de arte do século XIX. / camiladazzi@yahoo.com.br


Resumo
Considerações a respeito de como se estabeleceram as relações entre paisagem e nacionalismo na cena artística brasileira, quando da passagem do Império à República e em seus primeiros anos. Tendo como base as apreciações críticas publicadas em periódicos e as declarações dos próprios artistas, podemos verificar que a paisagem, posto que representava a natureza brasileira em sua especificidade – com suas formas, sua cor, sua luz local – foi vista como motivo privilegiado para plasmar uma há muito ansiada “Escola Brasileira” de arte. Para os críticos e para os artistas, as representações da paisagem se encontravam então estreitamente vinculadas àquilo que o escritor e filósofo francês Ernest Renan chamara “a alma nacional”, estando carregadas de um potencial capaz de constituir, por si só, um novo imaginário para o regime político que se instaurava.

Abstract
This paper presents a series of considerations about the relationships established between Landscape and Nationalism in the Brazilian artistic millieu during the political shift from Empire to Republic, in 1889, and in the years immediately following. In the critical appreciations then published in journals and magazines or in the statements of the artists, we can verify that the Landscape, in the measure it represented the Brazilian nature with its specificities – its forms, its color, its local light – was perceived as a privileged theme to shape the “Brazilian School” of art. For the critics and the artists, the representations of the Landscape were imbued of a potential capable to constitute a new imaginary for the new politic regimen then instaured.

Palavras-chave
Pintura de paisagem, artes decorativas, brasilidade.

Keywords
Landscape painting, decorative arts, brazility.

 

Revista Concinnitas
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